domingo, 8 de março de 2009

Dias - Prefácio

Eles se conheceram através de amigos. Ele tinha dezesseis, ela tinha treze. Ele já conhecia o namoro, ela nunca havia beijado alguém. Ambos nunca tinham se apaixonado de verdade, ambos eram tímidos, ambos saíram de casa naquela noite sem nenhuma pretensão, nenhum queria estar lá. Nenhum deles esperava encontrar o amor dessa maneira...
Sentaram-se a uma distância razoável um do outro, e nos primeiros minutos somente ele, um pouco menos tímido, falava. Ela apenas o observava, mais preocupada se a mãe apareceria, ou em saber o que suas amigas achavam dele. Ele falava sem parar, às vezes sobre o cachorro, às vezes sobre a escola, mas nada realmente interessante, também estava nervoso, pensando na prova que faria no outro dia, ou no que aconteceria se seus amigos aparecessem de repente. Nenhum dos dois estava realmente gostando da situação.
Passou-se uma hora, ele já estava suado, e ela bocejando. A todo minuto ela olhava de um lado para o outro, a procura de algo que parecia não estar em lugar nenhum. Ele por sua vez já havia desistido de achar algo interessante pra falar, e agora contava histórias aleatórias que apareciam em sua cabeça com rapidez alucinante, e ela, que já não falava muito, ficou mais quieta ainda. Parecia que nada poderia quebrar a camada de ar espesso e gélido que se formava entre os dois.
Ele agora parara de falar, e escutava ela dizendo que não podia estar ali, que sua mãe a repreenderia se a visse sentada sob um pé de acácia, conversando com um garoto desconhecido. Disse que tinha que ir embora. Ele não fez objeção alguma, na verdade já pensava no que ia fazer agora que aquela situação embaraçosa havia chegado ao fim. Fingiu tristeza pelo fim da “agradável” conversa, levantou-se primeiro, pois havia apreendido que era assim que cavalheiros se portavam, e ofereceu a mão em ajuda para levantá-la. Ela, relutante, estendeu a mão, e ele a puxou com pouca delicadeza. Agora estavam de pé, de mãos dadas, e aquilo parecia tão natural, que passaram quase um minuto inteiro desse jeito, apenas olhando-se nos olhos. Esse um minuto pareceu imenso para ambos. E pela primeira vez na noite ela sorriu. Era um sorriso estranho, que demonstrava vergonha e alegria ao mesmo tempo, sorriso acompanhado de olhos piscando e um longo suspiro. E ele se encantou com aquela expressão singular, e de repente não queria mais soltar as mãos dela.
Ele rompeu o silêncio, primeiro com um gaguejar impronunciável, depois com um sorriso desconcertado seguido de mais sons estranhos, que ao invés de assustá-la, fizeram-na sorrir mais uma vez, e os dois sorriram juntos de nada, um sorriso gostoso e relaxante. Ele sentou pra tentar se acalmar, e ela acompanhou-o, sentando quase ao seu lado. As mãos continuavam entrelaçadas. Ele agora olhava atentamente o rosto dela, e se perdeu nos detalhes do mesmo, um sinal, uma pequena cicatriz, as orelhas assimétricas, o nariz com um leve avermelhado, os lábios finos e atraentes, os olhos brilhantes e castanhos, o pescoço comprido, e tantas coisas que poucos notariam, mas que para ele eram como obras expostas em um museu. Ele apertava delicadamente as mãos dela a cada novo detalhe.
Ela havia esquecido o medo da mãe, e agora falava. Falava e ele concordava com tudo, com um aceno da cabeça ou com um “uhum” por entre os lábios que sorriam involuntariamente. Ela o olhava com curiosidade, parecia procurar algo no rosto redondo e bonachão dele, e por varias vezes fixava o olhar nos lábios dele, e suspirava.
Por mais duas horas conversaram, e apenas conversaram, mas agora qualquer assunto parecia interessante, fosse sobre o cachorro ou sobre as fôrmas de gelo redondas que ela tinha. Falaram sobre escola, filmes e música, e não tinham sequer uma preferência em comum, mas não parecia importar, compartilhavam algo muito maior, compartilhavam calafrios e olhares, batidas de coração aceleradas e carícias nas mãos, suspiros e sorrisos. Estavam apaixonados.
O tempo passou tão rápido que eles não perceberam que já não havia mais ninguém na rua. Era hora de entrarem. Ele a levou até a porta de onde ela morava, conversaram por mais alguns minutos e se despediram. Com as mãos dadas a altura dos ombros eles se olharam nos olhos mais uma vez. Ele aproximou seu rosto do dela, os narizes se tocaram uma vez. Ela apertou as mãos dele com força, e as baixou, agora eles estavam a apenas alguns centímetros um do outro, o queixo dela tocava levemente o peito dele. Enquanto ele olhava pra baixo, ela havia fechado os olhos. Ele apertou as mãos mais uma vez, mordeu os lábios, respirou fundo e puxou-a para junto dele, podiam sentir o coração um do outro num palpitar desenfreado. Olhou-a uma outra vez, ela mordia os lábios e estava ofegante, esperava o primeiro beijo. Ele disse boa noite, e a beijou, no rosto.

6 comentários:

  1. até eu fiquei ofegante! heauheauhea. e o beijo no rosto ficou legal. pra nao ter akele final q todos esperavam. kkkkkkkk

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  2. adoreiii..... itahh... o final foi show..rsrrs... realmente ñ foi o final q todos esperavam jo..

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  3. nuss! vc escreve divinamente! muito bom! gostei mesmo!

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  4. Muito intaressante! A história me prendeu e me fez ler até o final pra ver o desfecho e isso só acontece quando realmente nos encontramos diante de uma ótima hostória e o final... Foi inesperado! Muito bom! Vou fazer visitas sempre!

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  5. Marília disse...
    "..e todo mundo diz que ele completa ela e vice-versa que nem feijão com arroaz..." rs..
    Adoreiii, me fez lembrar de Eduardo e Mônica pelo naturalismo dos fatos..que delícia de leitura.
    Parabéns e obrigada por me proporcionar tamanha delicadeza.

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  6. arrgggggg.. hauahua

    sueiii... hauahauahu

    minhas mãos estão doendo de tanto aperto q eu senti lendo o texto...

    ótimo texto, expressou muito bem as sensações...
    senti q eu tava lá.. ^^

    Parabéns!

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