terça-feira, 10 de março de 2009

Dias - Capítulo Um

O Dia Seguinte

Acordou com um sorriso no rosto, e forçou a memória em busca do dia de ontem, teria sido um sonho ou era real? Tinha que ser real, desejava que fosse real, ainda sentia o cheiro dela, podia visualizar cada pedaço do rosto dela, sentia o toque das suas mãos... Era real! Levantou-se e foi tomar café.
Pouco fez durante o dia, tudo parecia tedioso demais, não conseguia terminar nada, a comida não abria o apetite, as horas passavam devagar demais e a todo momento ia pra fora e espiava o movimento, quem sabe ele a encontrava. Foi mais longo dia que já tivera.
À noite ele tomou banho por quase trinta minutos, penteou os cabelos com esmero, escolheu uma roupa que não usava normalmente e perfumou-se, coisa que nunca fazia. Olhou para o espelho como quem espera aprovação, fez algumas poses, respirou fundo pra tomar coragem e saiu de casa.
Seus amigos já estavam na porta esperando para saber o que ocorrera no dia anterior, e ouviram tudo em detalhes tão precisos que ficaram impressionados, mas quando ele respondeu que não haviam se beijado, todo o trabalho que teve ao pentear os cabelos foi por água abaixo, pois o agarraram e o sacudiram e o despentearam. Isso normalmente teria resultado em alguns socos e xingamentos, mas ele apenas se recompôs e sorriu. Olhava incansável para o fim da rua, onde um grupo de meninas conversava e ria alto, mas não conseguia identificar ela no meio do grupo, e começou a pensar se só ele havia sentido tudo aquilo no dia anterior, ou se tinha imaginado coisas.
Passaram algumas horas, e as brincadeiras que geralmente o faziam rir agora irritavam, músicas que o agradavam agora causavam dor de cabeça, e ele estava ficando irritado com tudo que normalmente fazia nas suas noites de férias. Um amigo o indagou sobre o motivo da insatisfação, e teve como resposta um “nada não” choroso, seguido de um suspiro. Os amigos agora falavam do episódio do desenho favorito de todos, e ele apenas olhava pra cima com as mãos nos bolsos, imaginando o que tinha feito de errado. Seria por causa do beijo no rosto? Ela estaria pensando que ele não quisera beija-la? Se fosse, ela entendera errado, ele apenas queria saborear mais algum tempo a paixão que o arrebatou na noite anterior, queria beija-la sim, mas queria que fosse em um contexto mais apropriado, queria dizer as palavras certas na hora certa, queria que fosse mágico e inesquecível. Mas parece que havia feito a escolha errada.
Seus pensamentos foram interrompidos por sorrisos vindos do grupo de meninas, e mais uma vez ele olhou esperançoso para elas, mas não a encontrou. Com os olhos tristes olhou para os amigos e tentou esquecer da noite passada com piadas e brincadeiras, mas tinha mais vontade de chorar do que de sorrir. E percebendo a tristeza do amigo, alguém sugeriu que fossem pra outro lugar, e todos foram, menos ele. Deu um ultimo olhar para o fim da rua, e abriu a porta de casa, não queria sair de lá nunca mais. Sentou-se no escuro, e liberou a raiva e a tristeza com socos no chão.
Depois de alguns minutos, levantou-se e bebeu água, quando ouviu palmas vindas da porta. Guardou o litro e foi ver que chamava.
Era um dos amigos, e lhe trazia um recado. Ela não pode sair hoje, disse ele, mas pediu pra você ir lá.
Ele agradeceu o garoto, e mandou avisar que estava indo. Arrumou o cabelo de novo, se recompôs, abriu a porta e olhou em direção a casa dela, e dessa vez a viu. Estava debruçada por sobre um gradeado, olhando parar ele. Via apenas a sua silhueta, mas sabia que era ela. Devagar caminhou para o fim da rua, tentando conter a ansiedade, e pensando no que dizer. Passou pelo grupo de garotas, que sorriam e murmuravam, e chegou em frente à grade.
Ela estava de cabelo preso, com uma blusa branca e saia. Suas mãos estavam juntas, em concha, olhava para baixo enquanto balançava a perna esquerda um pouco levantada. Parecia mais linda que nunca, mesmo estando menos arrumada que na noite passado. Ela levantou o rosto e sorriu, tímida. Ele disse boa noite.
Ele colocou as mãos entre as dela, e finalmente sentiu-se calmo. Olhou-a por alguns segundos, percorrendo todos os detalhes do seu rosto novamente, como que querendo saber se todos estavam lá. Ela sorriu novamente, e ele sentiu as pernas tremendo e o coração acelerando, mas era uma sensação gostosa, um medo benéfico, fazia-o sentir-se mais vivo que nunca. Retribuiu o sorriso, e levou a mão direita ao rosto dela, acariciando-a com a parte de fora dos dedos. Ela fechou os olhos.
Ele agora tocava o rosto dela com as pontas dos dedos, em movimentos leves e delicados, sentia aquele rosto como se fosse um cego sentindo algo, memorizando cada curva e detalhe. Passou pela orelha, desceu para a nuca, pescoço e ombros, com o indicador e o polegar segurou o queixo, ela agarrou sua mão e apertou forte. Aproximou-se devagar, viu quando ela molhou os lábios, encostou a testa na dela, os narizes se tocando, ambos respiravam fundo, as bocas separadas apenas por milímetros, mas ele já sentia o gosto dos seus lábios, colocou a mão esquerda na nuca dela, e acariciou levemente. Abriu os olhos e perguntou se podia beija-la, e o silêncio foi sua resposta, e ele tomou isso como um sim. Prendeu a respiração e moveu a boca em direção à dela, a distância entre os lábios era mínima, mas o tempo que ele levou para percorre-la pareceu enorme, mas finalmente as duas bocas se tocaram. Primeiro ele beijou o lábio inferior, seus dois lábios molhados e trêmulos apertando-o suavemente, num beijo preliminar, depois mordeu devagar, enquanto acariciava a nuca dela, e soltava o ar preso nos pulmões lentamente. Beijou o lábio inferior novamente, agora com mais vigor e passou a língua por ele devagar. Ela suspirou, e apertou a mão dele com entusiasmo, enquanto retribuía o beijo. Era a primeira vez que ela beijava alguém, mas foi um dos melhores beijos que ele já deu. Por alguns minutos continuaram aos beijos, hora mais curtos e suaves, hora mais longos e profundos, e em sincronia pararam. Não disseram nada um ao outro, deixaram que os olhos falassem. Eles diziam eu te amo.
Despediram-se com um pesar enorme, passaram apenas alguns minutos juntos, queriam poder se abraçar, queriam poder dizer tudo que sentiam. Perguntou se ia vê-la no dia seguinte, e combinaram tomar sorvete. Ele sorriu, deu um ultimo beijo na testa, esperou ela entrar, e foi pra casa. Deitou-se na cama, satisfeito, deu um sorriso, suspirou, e dormiu. Sonhou a noite toda com ela.

3 comentários:

  1. kkkkkkkkkk, ki maraaaaaa.
    =)
    adorei :D

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  2. Marília disse...

    Maravilhosooo e simples assim...
    Me deixou sem fôlego na descrição do primeiro beijo...
    ótimo

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