quarta-feira, 22 de abril de 2009

Zu(unnnnn)mbido

...Uma bela e jovem flor, desabrochando pouco a pouco. Pétala por pétala eu a desnudo, aproveitando cada ato em sua simplicidade, cada pétala com seu próprio universo de sensações. Prestes a cair a última pétala, o botão me aparece em sorriso faceiro, olhar distante. Não resisto ao perfume sensual e me lambuzo no teu néctar...

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Guardião - Despertar

Meio dia. Sol a pino. No meio de um deserto.
Em meio a cactos e mato rasteiro, terra e rochas, um pequeno lagarto observa uma estranha figura, algo que não estava lá no inicio da manhã quando ele saíra pra caçar. Rastejando pelo solo escaldante, praticamente deslizando por sobre a areia fina, ele se aproxima da figura, instintivamente cauteloso. Se fosse capaz de pensar, de distinguir, já teria identificado a figura como um homem, mas em seu cérebro primitivo, aquilo não passa de uma nova chance de conseguir abrigo ou comida, com sorte, os dois.

Os dois braços e pernas parcialmente enterrados lhe parecem raízes de uma estranha planta, o torso virado pra cima sugere uma formação rochosa. Ele se aproxima. A cada passo a figura se agiganta diante do minúsculo lagarto. Agora ele está totalmente encoberto pela sombra da estranha figura, e novamente para e observa, sendo atormentado por uma batalha de instintos, um lhe alerta do perigo, o outro lhe instiga a explorar. A curiosidade enfim supera o medo. Ele escala o corpo pelos ombros, com dificuldade, pois suas patas não são equipadas para aderir a superfícies metálicas. E há metal cobrindo o corpo, uma armadura. Uma armadura verde-negra e fosca, manchada e trincada, mas surpreendentemente brilhosa. Um brilho quase sobrenatural. Um brilho que chamou atenção não só do diminuto réptil, mas também de outras criaturas que habitam o deserto.

Do norte, um gigantesco Lobo-do-deserto se aproxima a passos largos, sem temer nada, pois é o dono do deserto, o maior predador dessa zona árida e morta. Mas mesmo ele é afetado pela longa seca que acomete o deserto, já se vão muitos meses sem uma única chuva. Sem chuva não há água, sem água a cadeia alimentar normal não pode ser seguida, plantas, insetos e mamíferos, todos morrendo aos milhares, e ele não pode caçar. Sua fome só aumenta. Nem mesmo os animais carniceiros ficam impunes, os corpos dos mortos são rapidamente engolidos pela areia do deserto. E a população do deserto diminui cada vez mais. Os grandes lobos, outrora animais de matilha, agora brigam entre si, cometendo até mesmo canibalismo. Irmãos se matam disputando caças, mães comem filhotes doentes, e, se essa estiagem incomum não cessar, os filhotes sadios serão os próximos.

O lobo que se aproxima é um exemplar magnífico da espécie. Chegando a quase um metro e meio de altura, o corpo ostenta várias marcas de combates, e o fato de ele continuar vivo sugere que ele foi o vencedor de todos. Os caninos do tamanho de facas, e mais afiados que elas, ainda manchados de sangue de sua última disputa saltam da sua enorme boca, deixando a impressão que uma única mordida dele é capaz de partir um homem ao meio. E é uma impressão correta. Os olhos, de um vermelho profundo e malévolo, estão fixos na movimentação do pequeno lagarto a sua frente. No lagarto e não no corpo.

Sua pelagem espessa e de cor dourada serve tanto pra proteger do vento cortante carregado de areia quanto pra camuflagem. Não fosse as manchas de sangue seco espalhadas pelas costas e focinho, o cheiro de carniça e morte que o acompanha ou o ranger dos dentes que a muito não cortam carne alguma, ele passaria completamente despercebido, pois apesar de seu corpo maciço, ele caminha leve pelas dunas. Suas pegadas se desfazem em segundos, ele caminha rápido demais pra deixar marcas profundas. Ele avança.

O Lagarto continua sua exploração, tenta achar buracos pela armadura, procura abrigo, mas descobre que a ela é impenetrável. Ele corre pelo peitoral da armadura, passa sobre uma inscrição em alto-relevo, um desenho gravado em ônix. Finalmente ele encontra uma fresta, um pequeno e estreito buraco, feito de fora pra dentro, na altura do pescoço. Mesmo esse buraco ainda é pequeno demais pro lagarto que tenta sem sucesso se infiltrar, instinto de sobrevivência falando mais alto, já sente a presença do lobo. Ele sobe, passa pelo então despercebido rosto da figura semi-enterrada, e descobre dois lugares pra se esconder. A figura não tem olhos.
O lobo agora já está bem próximo, cheira o corpo, todos os pelos do seu corpo se eriçam, ele sente em suas entranhas que aquilo não pertence ao deserto, que mesmo ele, o maior dos predadores, deve temer a figura negra que se projeta pra fora das areias. Ele sente que deve se afastar. Mas não o faz. A fome é maior, e ali está a chance de sobreviver mais algumas semanas. Ele abre a boca devagar, mandíbulas grandes o bastante pra abocanhar todo o torso enterrado. Fome contra medo, a fome sempre vence. Ele morde com força suficiente pra esmagar rochas, mas ao invés estraçalhar o corpo, seus dentes se partem e estilhaçam. Ele pula pra trás em claro desespero, a boca sangrando, ganindo de dor. O lobo esperneia saltando, e de súbito pára, calado, sem emitir som algum.

Uma luz fraca e azulada vem da direção dos olhos, mas o lagarto a ignora, estava atento ao movimento que veio debaixo da terra, uma lâmina negra e brilhosa subiu tão rápido que o lobo não teve chance, e em instantes partiu a barriga do logo longitudinalmente, matando-o em segundos. Praticamente hipnotizado, o lagarto não percebe a figura se levantando, e a luz que vem dos olhos, mesmo lugar que ele havia escolhido como abrigo, aumenta de intensidade à medida que a espada negra absorve o restante de vida no corpo do lobo. Já de pé, a areia escorre do corpo da figura. Armadura completamente escura, tons de verde e preto, espada longa de lâmina estreita em punho, os olhos brilham com intensidade absurda, transformando a pobre criatura em pó pelo simples contato.

O Guardião Insano havia novamente despertado, e sua espada havia mais uma vez provado o gosto da matança. Esse mundo não está preparado pra o que o Arauto do Caos representa...

Comentário - Guardião

"Guardião" é um conto imenso, e ainda não terminado, iniciado a alguns milhares de anos, e sem data pra acabar. "Guardião" conta a história de um dos quatro primeiros Guardiões do Abismo. Conta também como ele se tornou Guardião, e o que esse fardo causou a ele.

GodHunter, um dos quatro, foi quem melhor definiu o que é o Abismo:

"O Abismo é uma metáfora muito utilizada para representar o medo que o homem sente. Toda concepção escatológica da existência humana refere-se a um abismo. Seja o abismo de Pascal, que o acompanhava à esquerda, fazendo-o nunca esquecer que era humano e falível, ou o de Dante, que o classificara como inferno. O Abismo está presente desde sempre em nossos medos e anseios.

O Abismo é o interior da alma humana onde está alojado tudo o que somos medos e certezas. Certezas que somos impelidos a afundar no nosso âmago porque não vivemos sós e não podemos nos dar ao luxo e libertá-las.

O Abismo não é um lugar, e nem um objeto. É aquilo que todos podemos encontrar, mas não cabe a nós dizer nem como, nem onde, nossa função é assegurar de que aqueles que o encontrem o usem com sabedoria, e evitar que aqueles que nunca o encontrarão, o lancem ao esquecimento. Alguns podem considerá-lo como especulação religiosa, um conceito pagão ou abissal. Sempre esteve, o Abismo, acima de todas as religiões, e todas sempre o procuraram, seja na foram do Anel de Nibelungo ou como Graal, mas todas buscaram aquilo que não sabiam.

No abismo, seja ele inferno ou céu, está a resposta de tudo aquilo que sempre perguntamos em vão. Mas infelizmente nem todos conseguem alcançá-lo, e alguns não deveriam. Por isso, por incontáveis eras sempre existiram aqueles que preservavam a sua existência, sua integridade, e garantiam que o Abismo cumprisse o seu propósito.

Desde sempre houve Guardiões, não somos os primeiros, nem os últimos, sempre existiram aqueles que protegiam da humanidade seu maior tesouro, aqueles que lutavam pelo equilíbrio das coisas. Pois nem todo o saber é preciso, a informação é arma nas mãos dos ignóbeis.

Durante séculos protegemos aquilo que a humanidade sabe existir, mas não quer procurar, e aquilo que aqueles que não sabem procuram,...Esse é nosso fardo."

Não é minha intenção converter, pregar, incentivar, quero apenas contar uma história que me foi contada, e que antes foi contada a quem me contou... quero dividir e fazer a lenda viver.


Fiquem com as histórias, fábulas, contos, e espero que apreciem.

Ícaro KAUS Igreja.

Dias - Sítio

Ele não tirava os olhos dela...

Olhando contra a luz dos faróis do carro, sua presença era quase sobrenatural, como uma aparição, perfeita em sua magnitude. Insistiu pra que ela entrasse na piscina. A água, escura e de aparência suja, vinda de um riacho desviado e devidamente barrado, parecia gelo. O frio o incomodava, seus pés já estavam enrugados e quase dormentes, mas mesmo assim ele fazia de tudo pra não demonstrar o desconforto, queria, mais que tudo, ficar essa última noite com ela.

Ele insistiu, e insistiu. Ela cedeu, também queria ficar o máximo de tempo com ele. Ela se abaixou, ele a segurou pela cintura, e, devagar, a trouxe pra dentro da gélida piscina. A camada superficial da água rompeu-se num estalo surdo. Ela tremeu, e suspirou, e reclamou, mas assim que os dois ficaram juntos, olho no olho, nem todo o frio do mundo poderia separá-los, não naquele momento. Eles se beijaram, repetidas vezes, hora com carinho, hora com apreço, hora devagar, mas sempre com paixão. Ele a puxou pra junto de si, a beijou e abraçou, com força. A envolveu com os braços, a trouxe pra tão perto que sentiam o arrepio da pele um do outro. Tudo era tão surreal, tão magnífico, e apesar de tudo que ela havia dito na noite anterior, ele sabia, tinha certeza absoluta, que ela também estava sentindo o mesmo. Amor.

Ela o beijava tão intensamente que o surpreendeu. Sua mão o apertava, procurava ao mesmo tempo carinho e calor. Ele a levantou, ela o enlaçou com as pernas. Passeavam pela piscina escura, amigos bebiam e cantavam, dançavam ao som de músicas que ele não reconhecia, e que se reconhecesse, de certo desgostaria, mas não dava atenção a mais nada, só a ela. O frio aumentava do lado de fora.

Passaram bons minutos na piscina, o frio se tornou insuportável, e ele teve que admitir que fora derrotado, agora era a vez de ele ceder, e saíram da piscina. Sem muitas opções, e querendo ficar a sós com ela, sugeriu que fossem para o seu carro. Pra sua surpresa e alegria, ela aceitou. Percorreram a passarela coberta de lodo de mãos dadas, ele lhe cedeu sua toalha, o vento frio quase o derrubou, mas ele resistiu. O carro estava perto, e começou a vislumbrar as possibilidades e implicações daquilo. Ele e Ela, pela primeira vez, sozinhos em tanto tempo, agora maduros, e com vontades a tanto controladas aflorando. Chegaram ao carro. Ele disfarça o tremor nas mãos como culpa do frio.

Enrolada na toalha branca, ela se sentou ao lado dele, se mostrava muito mais calma e a vontade do que ele. Ele mais que tudo queria estar ali, mas tinha medo. Medo de criar expectativas, medo de não corresponder a essas expectativas, medo de fazer alguma bobagem e estragar tudo, de novo. Ela agora despia-se da toalha que a aquecia, ficando apenas com um pequeno short jeans, e a parte de cima de um biquíni azul celeste. Que visão esplendida!
E foi assim que o medo, tão de repente quanto veio, se foi. Pra ele, todos os temores eram irrelevantes, tudo o que ele queria estava ali. Ela estava ali, na sua frente, linda. Ele a beijou, como havia beijado várias vezes antes, mas esse tinha um sabor especial , esse era, sentia ele, o beijo decisivo, o beijo que definiria tudo. Sabia disso. Apertou-a na cintura, subiu devagar a mão pelas suas costas. Ela o mordia, de leve, e carinhosamente atrapalhado, ele tentava baixar os bancos do carro, mas o entusiasmo quase infantil e a excitação de adolescente não o deixavam calcular os movimentos... Ele estava adorando isso. Sorria para si mesmo.
Ela o ajudou a baixar os bancos. Ele se deitou pra recuperar um pouco de fôlego, e involuntariamente a puxou pra junto de si. Ela veio, devagar, linda, dominante e provocante.

Beijou-o devagar, e ficou por sobre ele.
Ele acariciava o seu rosto, ela o beijava.
Ele a apertava, ela o mordia.

Ele acariciava a sua nuca, mas, nervoso, às vezes apertava com força, ela apenas sorria, e o beijava ainda mais. Ele desceu as mãos pela sua cintura, acariciou-lhe as coxas, e sentiu-as ainda arrepiadas do frio da água. Ela por várias vezes tomava o controle, e o provocava. Ele adorava isso.

Devagar, ele a puxou pra cima de si, e eles se agarraram ainda mais. Ele já não tinha pudor, pudor não cabia mais nessa altura. Mordiscava o pescoço seu de leve, e muitas vezes parava para olhar, como quem quer confirmar se está tudo acontecendo ou se é um sonho, um sonho do qual não queria acordar. Ela sorria, linda como sempre, e ele a beijava de novo. Ele percorria o corpo dela com as mãos, frenético, acariciava as coxas, apalpava a bunda, apertava a cintura, mordia e beijava a barriga. Ela se insinuava, o apertava contra o banco do carro, beijava-o como quem tem sede...

E, na escuridão quase total, quebrada pelas luzes do rádio que ele ligara com o joelho, eles estavam sozinhos, mesmo com muitas outras pessoas perto. Ela o seduzia, o beijava, ela mordia os lábios dele, ele já sentia a dor das mordidas, mas eram dores que o faziam sentir que tudo aquilo era verdade. Ela mexia o ventre sobre ele, e ele a puxava, a apertava, ela o beijava.
Ele se pôs sentado, e, devagar, levantou o seu soutien, ela apertava e puxava seu cabelo. Ele devagar beijou a sua barriga, foi subindo, mordendo, beijando, lambendo, acariciava-a ainda mais, hora as coxas, agora não mais arrepiadas da água, e sim da situação, hora a bunda, por baixo do short molhado e já devidamente desabotoado. Ela o beijava o pescoço, ele chegava aos seus seios. Os acariciou com as duas mãos, apertou. Ela suspirou, forte.

Ele beijou o seio dela...
Devagar, com paixão, mordiscou e lambeu, ela apertou o seu cabelo com força. Ele a levantou e deitou-a no outro banco. Beijou-a com vontade, coração acelerado, abraçou-a, puxou-a contra o seu peito, a beijava apaixonado. Desceu as mãos, agora já sem medo, ela o abraçava e o beijava, os dois suspiravam juntos. Ele demorou-se acariciando a sua barriga, desceu a mão esquerda pela sua coxa, dedilhou-a com as pontas dos dedos, devagar abriu as suas pernas. Ele agora suava e o coração acelerava como nunca havia ocorrido em toda sua vida, devagar, ele abriu o zíper de seu short.

Ela suspirou mais forte.
Cada secção do zíper que descia era uma eternidade, ela o beijava, ele a beijava, ansiosos. O zíper chegou ao fim e ele a olhou no olho. Parecia repetir o gesto do primeiro encontro, quando pediu-lhe um beijo. Ela nada disse. ele desceu a mão por baixo do short, por entre as suas pernas...
 
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